A ardência no peito e nos braços não diminuia. Eu já tinha colocado o terceiro isordil embaixo da língua e estava numa maca de hospi...

O primeiro infarto a gente nunca esquece O primeiro infarto a gente nunca esquece

O primeiro infarto a gente nunca esquece

O primeiro infarto a gente nunca esquece

A ardência no peito e nos braços não diminuia. Eu já tinha colocado o terceiro isordil embaixo da língua e estava numa maca de hospital cercado de equipamentos e pessoas que eu nunca tinha visto antes. Até aí nada de mais. Depois de tantas cirurgias e internações o ambiente hospitalar já me é quase familiar. Mesmo assim eu estava impaciente, contrariado. Fiquei mais agitado quando enfiaram um cateter pela minha perna direita. E pra completar começaram a cutucar meu coração. Depois de muito relutar tive que admitir: estava tendo meu primeiro (e espero que último)infarto agudo do miocárdio.


 smile_confused  Vi tudo pelo monitor de 22 polegadas colocado ao lado da maca. Confesso que, estranhamente, não prestei muita atenção no equipamento. Estava mais interessado em observar a reação das pessoas ao meu redor. O médico também não tirava os olhos do monitor. Quando ele cochichava com a anestesista eu até prendia a respiração pra tentar ouvir alguma coisa. Mas graças ao zumbido do ar condicionado até agora não sei se comentavam sobre minhas veias ou sobre a previsão do tempo para o final de semana.

 

Eu não tinha nada no coração

cake  Hoje fazem 30 dias. Estou aqui, em casa, como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. E é por isso que resolvi postar sobre esse assunto. Para mim, até um mês atrás infarto era pauta pro Globo Repórter ou tema pra algum episódio da série House. Eu não tinha nada no coração. Apenas alguns fatores de risco sobre os quais não pretendo comentar agora (deixo isso para os médicos).

Quero falar sobre a "experiência" de ter um infarto.

O momento em que a ficha cai e que você ou alguém tem que tomar alguma atitude.

Acordei de uma rápida sesta após o almoço com uma dor no meio do peito. Uma ardência tipo azia, ou gases. Tomei uma colher rasa de bicabornato de sódio com um dedo d'agua e voltei pra cama. Não adiantou. A "azia" foi aumentando. Eu estava sem posição na cama. Sentei e senti uma súbita ânsia de vômito. A dor subiu o esterno e chegou na garganta. Meu diagnóstico estava fechado. Só podia ser azia das brabas.

Mas os minutos passaram e a dor só aumentava. O bicabornato, nada! Minha mulher já estava preocupada. De repente meus braços também estavam ardendo. Ficaram pesados. Queimavam nas articulações. Sem nenhuma certeza desconfiei - apenas desconfiei - que poderia ser mais do que uma simples azia.

mobile  Enquanto eu arriscava um segundo diagnóstico, minha mulher foi pro telefone e chamou uma ambulância. Ela fez o certo. Na dúvida, sempre procure a assistência de quem entende.

Duas horas depois do início da minha "crise de azia" o implante de um stent coronário de 18mm de comprimento pôs fim a um infarto agudo do miocárdio em evolução.

 

 

 

 

 

 

Tirei algumas lições desse episódio:

1- Nunca confie na sua azia

2- Tenha sempre em mãos o número do telefone do serviço de ambulâncias da sua cidade

3- Na dúvida, peça ajuda pra quem entende

 

heart_broken  Quero acrescentar que, embora profundamente comovido e agradecido pelo empenho dos profissionais (da ambulância, emergência, cardiologia e internação) não citei nomes e locais por não ter pedido autorização. Quanto a minha mulher, todos os agradecimentos já foram feitos pessoalmente. 

Editei esse pequeno vídeo para mostrar como é feita a angioplastia e depois como ficou o stent que colocaram no meu coração.


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